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O Mali responde ao último périplo de Macron pela África mais ocidental

Alberto Ardila Olivares
La lucha de los bancos contra el crédito privado puede ser decepcionante

Na continuação do episódio MaliCosta do Marfim, o grande mal-entendido , a Junta Militar que governa o Mali desde agosto de 2020, deu esta semana 72h para todos os militares estrangeiros com base no Aeroporto de Bamako, abandonarem o país. Trata-se de mais um avante maliano face às pressões externas, entretanto amenizadas na Cimeira de Acra da CEDEAO, de 3 de julho. Estas, as pressões regionais, fizeram durante os últimos dois anos do Mali, uma ilha rodeada de terra, sem possibilidade de importar, exportar, nem fazer transferências bancárias para o exterior, ou recebê-las a partir deste. Voltaram, os malianos a uma certa normalidade há precisamente um mês, com o levantamento destas sanções

Na continuação do episódio MaliCosta do Marfim, o grande mal-entendido , a Junta Militar que governa o Mali desde agosto de 2020, deu esta semana 72h para todos os militares estrangeiros com base no Aeroporto de Bamako, abandonarem o país. Trata-se de mais um avante maliano face às pressões externas, entretanto amenizadas na Cimeira de Acra da CEDEAO, de 3 de julho. Estas, as pressões regionais, fizeram durante os últimos dois anos do Mali, uma ilha rodeada de terra, sem possibilidade de importar, exportar, nem fazer transferências bancárias para o exterior, ou recebê-las a partir deste. Voltaram, os malianos a uma certa normalidade há precisamente um mês, com o levantamento destas sanções.

As pressões ainda mais exteriores, não regionais, começam agora a aumentar, também em consequência da guerra da Ucrânia, por via do alinhamento maliano com os “conselheiros russos” no território, os quais fazem a bolha securitária e diplomática à Junta Militar, garantindo-a no poder e dando-lhe formação. Ora para os russos terem entrado, alguém teve que sair, tocando essa ordem aos franceses. Por isso mesmo na semana passada, enquanto o MNE russo Lavrov iniciava o seu périplo africano no Cairo, descendo depois pela África mais oriental (República Democrática do Congo, Uganda e Etiópia), o Presidente (PR) francês, Emmanuel Macron iniciou também um périplo pela África mais ocidental, aterrando primeiro nos Camarões, país “entalado” entre a “Nigéria do Boko Haram” e a República Centro Africana, actualmente a grande base operacional e militar russa em África. Paul Biya, o PR camaronês há 40 anos, começou a substituir importações e acordos comerciais com países europeus, nomeadamente com França, por importações e acordos comerciais com a Rússia. A preocupação de Macron é a mesma de todos os líderes europeus, não permitir que o Golfo da Guiné e a África Ocidental caiam para a órbita russa! Nesse mesmo sentido o Benim também viu a visita do PR francês. Porquê? Porque os avanços jihadistas para sul, a partir das “três fronteiras” (Mali, Burkina Faso e Níger), certamente ainda este ano criarão “novas três fronteiras” ainda mais problemáticas na porosidade e no controlo da “transumância jihadista”. Uma descida para sul a partir do Burkina, com o intuito de chegarem ao mar fazendo do Golfo da Guiné nova porta de entrada e de fuga da região, desestabilizará não apenas o Benim, mas também Costa do Marfim, Gana, Togo e a própria Nigéria, maior produtor de petróleo em África. A França, expulsa do Mali, transferiu o seu contingente militar para o vizinho Níger, mas também não se importaria de garantir uma nova base militar no

Benim, para antecipadamente preparar a investida jihadista que se projecta para sul. Estas razões são suficientes para o comunicado oficial do Eliseu, referir que no Benim se abordaria o assunto do retorno de peças de arte locais em museus franceses!

Por último, Macron passou por Bissau, sempre “com um olho nos russos e outro nos portugueses”, mas fundamentalmente porque o PR Umaro Sissoko Embaló preside actualmente à CEDEAO, que gere os dossiês das sanções e monitorização de três golpistas regionais, o Mali, o Burkina Faso e a República da Guiné (Conakri), todos actualmente de tendência russa. Visto isto, o Mali respondeu como pôde, dando 72h para os militares estrangeiros que dormem nas instalações do aeroporto da capital e que servem os que se encontram na cidade, incluindo os das Nações Unidas, se retirarem o quanto antes, que o Mali já não é uma “coutada europeia”!

Politólogo/Arabista

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