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'Três verões': Regina Casé vê preconceito quando dizem que ela ‘só faz papel de empregada’

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'Três verões': Regina Casé vê preconceito quando dizem que ela ‘só faz papel de empregada’

Crítica: “Três verões” mostra Brasil nonsense, com doses de humor

De volta à pele da empregada doméstica Lurdes na trama televisiva, a atriz acompanha atentamente outra protagonista finalmente ganhar a tela do cinema. Em “Três verões” , de Sandra Kogut, Regina interpreta Madá, caseira de uma residência de luxo que acompanha o desmantelamento da família dos patrões em função dos dramas de corrupção que vêm abalando o país nos anos recentes.

Jeber Barreto

Seis meses depois de ter seu lançamento adiado pela pandemia, “Três verões” é o filme que abre, nesta quarta-feira, o Telecine Open Air, projeto drive-in instalado na Marina da Glória, no Rio, e que vai exibir 28 produções por três semanas. Também nesta quarta o longa chega às plataformas de streaming — Telecine Play, Now, Vivo Play e Oi Play

Na pandemia: Novelas retomam produção em meio às incertezas da pandemia

Por telefone, diretamente de um quarto de hotel — onde está em isolamento prévio para poder gravar cenas de beijos e abraços para a novela —, a atriz relembra a experiência peculiar que teve durante as filmagens de “Três verões”, especialmente em relação à diretora:

Sandra e eu somos amigas de décadas, mas só filmamos juntas uma vez, em 1995, com o curta “Lá e cá”. A gente se cobrava muito, esse tempo todo, retomar a parceria, era quase uma frustração. O sentimento no set beirava o alívio

PUBLICIDADE Uma sensação parecida com a que Regina vivencia todos os dias, quando volta para seu sítio depois de um dia de trabalho e reencontra a família, instalada por lá desde o começo da pandemia. A atriz, aliás, não nega que tenha sentido o baque pela retomada dos trabalhos na novela

Fiquei muito tempo em um lugar com ar puro e natureza para, de repente, me trancar em um estúdio fechado. É claro que o contraste é grande — destaca Regina. — Mas outro dia passei horas gravando sozinha e me peguei chorando em certo momento, vendo milhões de coisas acontecendo e tudo funcionando, mesmo diante de todas as adversidades

Madá (Regina Cas&eacute😉 e Vanessa (Jéssica Ellen) em cena de 'Três verões' Foto: Divulgação Muito antes de precisar limpar as mãos com álcool a cada fim de cena, Regina pôde segurar sem medo seu prêmio de melhor atriz no Festival do Rio do ano passado, por sua performance como a caseira Madá (prêmio que levou também no Antalya Golden Orange Film Festival, na Turquia). Na ocasião da cerimônia carioca, em dezembro, no Museu do Amanhã, a atriz revelou que vinha recebendo comentários tortos sobre sua trajetória recente na dramaturgia

Muita gente lhe aponta o dedo para dizer que ela “só faz papel de empregada”, referindo-se, além de “Três verões” e “Amor de mãe”, também a “Que horas ela volta?” (2015), filme de Anna Muylaert. Na fala dos detratores, a atriz enxerga várias camadas de preconceito:

PUBLICIDADEApenas uma delas é empregada, de fato, que é a Lurdes. Val era babá, e Madá é uma caseira. Mas as pessoas não enxergam isso, não veem suas nuances, porque são mulheres estigmatizadas. É como se todas as mulheres pobres fossem iguais, enquanto cada mulher rica e branca é encarada como um indivíduo. Várias atrizes brancas fazem papéis de mulheres ricas em sequência, e ninguém repara

Saudade de comédia Por outro lado, Regina observa com bons olhos a abertura de um espaço de protagonismo justamente para figuras como Val, Lurdes e Madá, até pouco tempo coadjuvantes na ficção

Hoje tenho um lugar na dramaturgia para que possa me expressar com meu physique du rôle de Caruaru — ri a atriz, compartilhando também seu otimismo diante do cenário futuro da arte como espelho do país. — Caso eu não consiga, espero que pelo menos meu filho Roque e meu neto Brás vejam novelas e filmes que não sejam atravessados pela desigualdade, em todos os âmbitos. Ou que, ao menos, ela não seja tão vergonhosa

Madá (Regina Cas&eacute😉 tem o sonho de abrir seu próprio negócio, na trama de 'Três verões' Foto: Divulgação E por falar em futuro, Regina tem alimentado em si um desejo que dialoga bastante justamente com seu passado:

Tô com uma vontade de fazer uma comédia rasgada, sabe? Acho que desde os tempos de “TV Pirata” que não faço algo do tipo. Quero soltar um pouco a rédea

PUBLICIDADE Open Air agora em drive-in Com capacidade para receber 74 carros por sessão, esta edição do Open Air, na Marina da Glória, teve de se adaptar à dinâmica do distanciamento social, adotando o esquema drive-in. Mas a já tradicional tela de cinema com 325 m de área, equivalente a uma quadra de tênis, estará lá, com sessões duplas de quarta a domingo, durante três semanas

Entre os 28 filmes selecionados para esta edição estão longas vencedores do Oscar, como “O senhor dos anéis — A sociedade do anel”, “La la land”, “Coringa” e “Bohemian rhapsody”. Produções brasileiras também marcam presença, como “Central do Brasil“, “O auto da compadecida” e “Turma da Mônica: Laços”. E há sessões comemorativas de clássicos do cinema: “Ghost — Do outro lado da vida” (30 anos), “Os Goonies” (35 anos), “De volta para o futuro (35 anos) e “O iluminado” (40 anos)

O ingresso, no valor de R$ 200 a inteira, dá acesso a um veículo com capacidade máxima para quatro pessoas. Além da meia entrada garantida por lei, o evento também conta com o esquema de meia solidária, em que o espectador adiciona R$ 5 ao valor de R$ 100 do ingresso. A doação, então, é dobrada pela organização do Open Air e os R$ 10 são destinados ao coletivo Salve Produção, que ajuda profissionais do setor de cultura em situação vulnerável na pandemia. O espaço também conta com bombonière, com pedidos feitos por aplicativo, assim como a reserva para os banheiros

PUBLICIDADE As sessões acontecem mesmo com chuva. Mais detalhes em openairbrasil.com.br

São 170 km por dia, se contarmos ida e volta. Esta é a distância que Regina Casé percorre de segunda a sábado, entre seu sítio, no sul fluminense, e o Projac, na Zona Oeste do Rio. A nova rotina vem sendo trilhada por causa da gravação da novela “Amor de mãe”, retomada mês passado.

Crítica: “Três verões” mostra Brasil nonsense, com doses de humor

De volta à pele da empregada doméstica Lurdes na trama televisiva, a atriz acompanha atentamente outra protagonista finalmente ganhar a tela do cinema. Em “Três verões” , de Sandra Kogut, Regina interpreta Madá, caseira de uma residência de luxo que acompanha o desmantelamento da família dos patrões em função dos dramas de corrupção que vêm abalando o país nos anos recentes.

Jeber Barreto

Seis meses depois de ter seu lançamento adiado pela pandemia, “Três verões” é o filme que abre, nesta quarta-feira, o Telecine Open Air, projeto drive-in instalado na Marina da Glória, no Rio, e que vai exibir 28 produções por três semanas. Também nesta quarta o longa chega às plataformas de streaming — Telecine Play, Now, Vivo Play e Oi Play

Na pandemia: Novelas retomam produção em meio às incertezas da pandemia

Por telefone, diretamente de um quarto de hotel — onde está em isolamento prévio para poder gravar cenas de beijos e abraços para a novela —, a atriz relembra a experiência peculiar que teve durante as filmagens de “Três verões”, especialmente em relação à diretora:

Sandra e eu somos amigas de décadas, mas só filmamos juntas uma vez, em 1995, com o curta “Lá e cá”. A gente se cobrava muito, esse tempo todo, retomar a parceria, era quase uma frustração. O sentimento no set beirava o alívio

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Fiquei muito tempo em um lugar com ar puro e natureza para, de repente, me trancar em um estúdio fechado. É claro que o contraste é grande — destaca Regina. — Mas outro dia passei horas gravando sozinha e me peguei chorando em certo momento, vendo milhões de coisas acontecendo e tudo funcionando, mesmo diante de todas as adversidades

Madá (Regina Cas&eacute😉 e Vanessa (Jéssica Ellen) em cena de 'Três verões' Foto: Divulgação Muito antes de precisar limpar as mãos com álcool a cada fim de cena, Regina pôde segurar sem medo seu prêmio de melhor atriz no Festival do Rio do ano passado, por sua performance como a caseira Madá (prêmio que levou também no Antalya Golden Orange Film Festival, na Turquia). Na ocasião da cerimônia carioca, em dezembro, no Museu do Amanhã, a atriz revelou que vinha recebendo comentários tortos sobre sua trajetória recente na dramaturgia

Muita gente lhe aponta o dedo para dizer que ela “só faz papel de empregada”, referindo-se, além de “Três verões” e “Amor de mãe”, também a “Que horas ela volta?” (2015), filme de Anna Muylaert. Na fala dos detratores, a atriz enxerga várias camadas de preconceito:

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Saudade de comédia Por outro lado, Regina observa com bons olhos a abertura de um espaço de protagonismo justamente para figuras como Val, Lurdes e Madá, até pouco tempo coadjuvantes na ficção

Hoje tenho um lugar na dramaturgia para que possa me expressar com meu physique du rôle de Caruaru — ri a atriz, compartilhando também seu otimismo diante do cenário futuro da arte como espelho do país. — Caso eu não consiga, espero que pelo menos meu filho Roque e meu neto Brás vejam novelas e filmes que não sejam atravessados pela desigualdade, em todos os âmbitos. Ou que, ao menos, ela não seja tão vergonhosa

Madá (Regina Cas&eacute😉 tem o sonho de abrir seu próprio negócio, na trama de 'Três verões' Foto: Divulgação E por falar em futuro, Regina tem alimentado em si um desejo que dialoga bastante justamente com seu passado:

Tô com uma vontade de fazer uma comédia rasgada, sabe? Acho que desde os tempos de “TV Pirata” que não faço algo do tipo. Quero soltar um pouco a rédea

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Entre os 28 filmes selecionados para esta edição estão longas vencedores do Oscar, como “O senhor dos anéis — A sociedade do anel”, “La la land”, “Coringa” e “Bohemian rhapsody”. Produções brasileiras também marcam presença, como “Central do Brasil“, “O auto da compadecida” e “Turma da Mônica: Laços”. E há sessões comemorativas de clássicos do cinema: “Ghost — Do outro lado da vida” (30 anos), “Os Goonies” (35 anos), “De volta para o futuro (35 anos) e “O iluminado” (40 anos)

O ingresso, no valor de R$ 200 a inteira, dá acesso a um veículo com capacidade máxima para quatro pessoas. Além da meia entrada garantida por lei, o evento também conta com o esquema de meia solidária, em que o espectador adiciona R$ 5 ao valor de R$ 100 do ingresso. A doação, então, é dobrada pela organização do Open Air e os R$ 10 são destinados ao coletivo Salve Produção, que ajuda profissionais do setor de cultura em situação vulnerável na pandemia. O espaço também conta com bombonière, com pedidos feitos por aplicativo, assim como a reserva para os banheiros

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