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Primeiro paciente de coronavírus no país 'está bem e andando por aí', diz infectologista

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Primeiro paciente de coronavírus no país 'está bem e andando por aí', diz infectologista

Ele foi atendido no Einstein e, com sintomas leves, voltou para casa, onde continuou monitorado por uma equipe médica e técnicos da Vigilância Municipal da Saúde na capital paulista

SÃO PAULOEnquanto o novo coronavírus desafia cientistas na busca contra o tempo por uma vacina segura e eficiente, algumas lições já surgem da linha de frente do combate à Covid-19 . Para o infectologista Moacyr Silva Junior, do Hospital Israelita Albert Einstein , que acompanhou o primeiro caso confirmado com a doença no país, a cura de pacientes reforça a importância do sistema imunológico na luta contra o vírus – e o isolamento, reforça, é essencial para frear novas infecções.

— A cura ensina a importância do sistema imune, da imunidade do indivíduo. Ela varia de paciente para paciente. Os mais fortes, os que estão bem, têm conseguido combater — diz o infectologista, que atende os pacientes graves internados em UTI.

Moacyr Silva Junior também acompanhou, há um mês, a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no país. O paciente foi um empresário de 61 anos, morador de São Paulo, que tinha voltado de uma viagem a trabalho para a Itália no final de fevereiro.

Ele foi atendido no Einstein e, com sintomas leves, voltou para casa, onde continuou monitorado por uma equipe médica e técnicos da Vigilância Municipal da Saúde na capital paulista.

Ele está bem. Teve infecção respiratória, mas ficou bem. Não precisa mais de isolamento. Já está andando por aí – conta o médico. — A vida continua.

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O caso do primeiro paciente, explica, não exigia internação. Já infecções de grau médio podem necessitar de três a quatro dias de hospitalização, com hidratação e uso de antibióticos em seguida em casa.

— A complicação de uma infecção viral muitas vezes tem uma infecção bacteriana junto. Mas é possível tratar em casa. O paciente fica internado de três a quatro dias e depois toma antibiótico via oral em casa. Não se trata o vírus, mas a complicação do vírus – conta.

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— Em pacientes que parecem mais cansados, com insuficiência respiratória maior, fazemos raio-X ou tomografia de tórax, que acusam a infecção, que pode ser do vírus ou infecção bacteriana adicional – diz o infectologista.

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Pacientes são considerados curados, afirma, quando os sintomas cessam. Mas eles ainda podem transmitir a doença.

— É preciso diferenciar as duas coisas. Não é porque está curado que não pode transmitir. O protocolo aqui é o seguinte: depois que cessarem os sintomas, ainda tem que ficar mais 14 dias em isolamento, em quarentena – diz.

O uso da cloroquina para tratamento do novo coronavírus, opina, ainda gera dúvidas:

Apesar de estar sendo anunciado, o uso da cloroquina ainda não é estabelecido. É algo subjetivo no meio médico, sem suporte científico amplo. É mais desespero do que suporte científico.

O infectologista esclarece que o momento de correr para o hospital responde a critérios básicos: paciente prostrado, com febre contínua, que não se alimenta e tem falta de ar. São os critérios “mais sensíveis”, afirma.

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Fora isso, o isolamento não só é recomendado como necessário:

— A OMS não acreditava inicialmente na quarentena em Wuhan (China). Mas a contenção é fundamental justamente para evitar o boom de infectados procurando assistência médica.

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Para Moacyr Silva Junior, o combate ao novo coronavírus no país está só começando:

Continuamos na ativa. Enquanto casos e óbitos continuarem em ascensão, não dá para voltar para casa. Dizemos (entre a equipe médica) que estamos como soldados, ainda na trincheira, esperando o que vai acontecer.

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Luis Emilio Velutini